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ELLA

  • Foto do escritor: Elas são Elas
    Elas são Elas
  • 16 de jun. de 2021
  • 3 min de leitura

Atualizado: 23 de jun. de 2021



Desde a infância, a DJ Ella Nasser (30) procurava descobrir quem de fato era. A aceitação da sua identidade de gênero começou gradualmente, porque ela ainda não entendia que era possível se identificar com um sexo diferente do de nascença. De acordo com Ella, faltava na mídia representatividade e referências que a fizessem se enxergar de verdade.


“Até então eu nunca tinha me entendido. Eu sempre fui uma ‘bicha poc’, eu era muito afeminada. Na minha cabeça, eu era apenas um gay. Foi uma situação que me pegou de surpresa, porque eu nunca tinha tido contato com o mundo das travestis e transexuais”, relembra.


Ella é muito feliz com a profissão. Foto: arquivo pessoal.

Ella é DJ e passou a conhecer o universo trans por conta do seu trabalho. Foi quando deu um novo olhar às diferentes perspectivas de vida, e tirou da cabeça o conceito estigmatizado de que toda mulher transexual é prostituta e marginalizada. A partir daí entendeu que são pessoas normais com pais, irmãos e uma vida, como qualquer outro ser humano.


A transição começou a partir do momento em que ela se identificou com a vida dessas mulheres. Ella começou a tomar hormônios escondida da família, porque para eles era muito difícil aceitar a escolha de vida que ela tomou. Em algum momento, após meses de hormonização, Ella não conseguiu mais esconder da família.

Ella fala sobre o momento em que começou a conhecer e se identificar com pessoas transexuais.


“Minha rede de apoio são apenas poucos amigos, são as pessoas que me dão suporte. Desde o início da minha transição eu não tenho contato com a minha família, porque eles são pessoas conservadoras, que projetam todo o preconceito e violência enraizados neles através da religião. Não foi um ambiente seguro para mim durante esse processo”, conta.

Ella conta que precisou se podar no início, porque as pessoas, incluindo a família, achavam o comportamento dela exagerado e muitas vezes efusivo. A DJ se questionou diversas vezes na adolescência sobre quem era. O preconceito surgiu logo cedo de todos os lados: na escola, dentro de casa, com amigos, porque na época não era considerado “normal” ser homem e afeminado.

“Na adolescência eu descobri a minha liberdade de ser. Foi quando eu vi que eu poderia ter estilo, que eu não precisava usar as roupas que minha mãe comprava para mim. Aliás, minha mãe foi a pessoa que mais me reprimiu no mundo, ela entende que teve um filho, e ponto. Depois que eu vi que eu não precisava me reprimir, eu me soltei”, destaca.


Na visão de Ella, a parte mais gratificante do processo de descoberta da sua identidade foi quando ela se entendeu enquanto mulher, através das informações que obteve, e da rede de apoio.


“Foi um processo difícil, porque a gente passa por violências que a gente nem imagina que existem. Dentro de casa, passei por coisas horríveis como tentativa de homicídio. Hoje eu sou a pessoa mais feliz e realizada do mundo, hoje eu me enxergo e sou feliz”, afirma.

Maternidade


Ella tem um filho de oito anos que é uma de suas maiores alegrias, e conta que ele é a única pessoa que a respeita verdadeiramente. “Ele é o único que me chama pelo meu nome, que quer estar comigo independente de qualquer coisa, que gosta de mim por eu ser eu, e não porque eu fui pai.


De acordo com a artista, o filho foi um divisor de águas. Foi ele quem conseguiu a manter de pé e evitar com que ela fizesse besteiras ao longo de sua trajetória. “É o único momento em que consigo me sentir amada de verdade, é o momento que eu tenho de felicidade na minha vida. Ele me ama por quem eu sou e eu nunca precisei ensinar isso pra ele”, pontua.

Ela ainda destaca que o filho é capaz de compreender e aceitar mais do que as pessoas que estão ao redor, e muitas vezes entendem mais do que adultos que possuem informações para entender o universo transexual.

“Eu nunca precisei ensinar para ele como me chamar pelo meu nome social. Eu nunca virei para ele e falei que ele precisava respeitar o coleguinha, ele é uma pessoa que tem plena consciência de vida. Para me manter viva, precisei passar por essa questão de passabilidade, e uma criança entende que eu posso ser quem eu quiser, isso desmonta a gente”, finaliza.

A Ella


Ela é sorriso fácil e dia ensolarado no verão. Ama beber em boa companhia e ama se sentir bela do jeito que é.


O filho é uma força que a move, e seus poucos e bons amigos são quem a levam adiante nessa sociedade doente e preconceituosa.

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