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Um ato de resistência no serviço público

  • Foto do escritor: Elas são Elas
    Elas são Elas
  • 15 de jun. de 2021
  • 2 min de leitura

Luiz Fernando Marques é o médico de família e comunidade do ambulatório trans do Distrito Federal, que foi inaugurado em 2017 e já auxiliou diversas pessoas durante o processo de transição de gênero. A equipe médica volta sua atenção para dar todo o suporte técnico e emocional, cuidando e empoderando os seus pacientes.


Uma das maiores barreiras enfrentadas pelo ambulatório é o sucateamento do SUS. Ele é considerado um serviço da atenção secundária e não possui uma ligação formal com as unidades básicas de saúde. Com isso, pessoas que chegam com demandas de gêneros nessas unidades não são diretamente encaminhadas para o ambulatório.


A falta de ligação entre as ramificações dos sistemas de saúde prejudicam também aqueles que demandam por cirurgias como a mastectomia, a retirada dos seios. Apesar da precariedade, o ambulatório conta com 10 profissionais que auxiliam as pessoas trans em diversos aspectos da sua transição de gênero.


A equipe é formada por dois endocrinologistas, um psiquiatra, três psicólogos, um médico de família, duas assistentes sociais, um farmacêutico - que trabalha voluntariamente, além de duas técnicas de enfermagem. Por mais que a equipe seja completa, o horário de atendimento desses profissionais é variado e alguns deles atendem apenas 9 horas por semana dentro do ambulatório.


Outro problema que Luiz Fernando Marques relata é a localização do ambulatório. Por estar situado no Hospital Dia da 508/509 Sul, o acesso para muitos pacientes é difícil. Segundo ele, essa localização só favorece “os benefícios da nossa elite.” A lista de espera para conseguir uma consulta pode ser grande e demorar até um ano. O médico relatou que existem mais de 300 pessoas aguardando o atendimento.


Os que conseguem o atendimento, recebem o apoio completo de uma equipe médica preparada para lidar com suas questões, inclusive auxílio para saber como construir um diálogo saudável com a família. O médico relata como é feito o processo para um paciente que quer entrar no ambulatório:





Umas das maiores dificuldades que Luiz encontra em seu consultório é o preconceito, que muitas vezes é algo interno. A falta de aceitação e o medo de lidar com a família são as maiores barreiras que essas pessoas apresentam. Segundo ele, "um dos nossos maiores trabalhos é empoderar a pessoa.”


No ambulatório, a equipe acolhe os pacientes e entende que existem especificidades, tanto nas demandas emocionais quanto no processo de hormonização. Eles tentam ao máximo aproximar o que o paciente quer com o que é possível. O médico afirma que nesse momento é muito importante que pessoas trans conversem com outras pessoas trans para que elas saibam claramente como funciona essa jornada.


Atualmente, a maior demanda do ambulatório trans é a hormonização. Luiz Marques relata que muitos pacientes decidem tomar remédio sem prescrição e que isso pode causar problemas de saúde como trombose, coágulos, alterações de humor, entre outros. Com o acompanhamento médico, esse procedimento pode ser mais simples e seguro.


O objetivo de Luiz Fernando Marques é auxiliar no empoderamento das pessoas trans para que elas se sintam na completude humana se identificando como seu gênero.


Sobre o crescimento do ambulatório, ele afirma que não deseja a expansão:




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