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Como funciona a hormonização

  • Foto do escritor: Elas são Elas
    Elas são Elas
  • 15 de jun. de 2021
  • 2 min de leitura

Atualizado: 16 de jun. de 2021


A endocrinologista Alexandra Saliba conta que desde o início de sua carreira se interessou pelas causas das minorias. Mesmo que não fizesse parte da grade de estudos da sua área, ela foi atrás e fez seu Trabalho de Conclusão de Curso baseado no papel do endocrinologista no processo de adequação de gênero, justamente pelo interesse no assunto.

A médica relata que o processo de hormonização é desafiador no país, porque ainda não há estudos suficientes que comprovem as quantidades exatas de hormônios a serem utilizadas. Por isso, ela indica que o tratamento seja feito no ambulatório trans, onde há um maior preparo. “Na área técnica, o que é feito hoje é um extrapolamento do protocolo para pessoas cis, e aí a gente vai avaliando caso a caso”, explicou.

A médica também disse que há ainda um tabu dentro do meio médico sobre a transexualidade. “O ambulatório trans serve para ajudar na adequação de gênero, mas uma pessoa trans ainda vai ter outras doenças. Ela precisa ter a segurança e o direito de chegar em uma unidade de saúde e o médico saber lidar com ela”, destacou.

“Uma grande parte da dificuldade que os pacientes trans encontram na unidade básica de saúde é que tudo que eles reportam aos médicos, os médicos associam a harmonização ou a uma doença sexualmente transmissível. Ele nunca é tratado como um paciente normal”, desabafou.

Como é o processo de hormonização

De acordo com Alexandra, o primeiro passo é entender o histórico do paciente, o que o motivou a tomar a decisão, os seus objetivos e a forma como ele quer se mostrar para a sociedade.

Em seguida, a médica conversa sobre os efeitos adversos da hormonização, os positivos, os custos para o paciente, e as contraindicações. “Nesse momento, também converso sobre a fertilidade. O uso de altas doses a longo prazo pode afetar a fertilidade, é bem possível e provável. Entretanto, hoje há alternativas para quem deseja ter filhos próprios, como o congelamento de esperma no caso de mulheres transexuais”.

Em seguida, a endocrinologista fala de prazos, porque a hormonização é algo que pode durar praticamente toda a vida. “Cada alteração hormonal vai começar em um momento e estabilizar em outro. O que acontece muitas vezes é a diminuição da dose e alteração de medicamentos ao longo da vida. Há riscos em largar a hormonização, precisa de um acompanhamento médico”, esclareceu.

Shift hormonal

O uso de hormônios pode gerar grandes mudanças. O hormônio feminino é mais “melancólico, menos enérgico" do que a testosterona. Quando uma pessoa faz o uso de estrogênio, ela pode ter um aumento da labilidade emocional, não saber lidar com momentos de estresse, principalmente no início quando há um grande shift hormonal. Entretanto, segundo Alexandra, isso tende a se estabilizar com o tempo.


Efeitos definitivos x não definitivos

A médica cita alguns efeitos definitivos em mulheres transexuais que fazem o ciclo de hormonização: infertilidade (que pode ser definitiva) e crescimento das mamas.

Não definitivos (que variam de pessoa pra pessoa): redistribuição de gordura, a calvície para de evoluir, ausência ou diminuição de ereções, libido diminui.


Um caso marcante na profissão





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© 2021. Criado para Trabalho de Conclusão de Curso do IESB.

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